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4 de nov de 2011

■ Review Alan Wake - Crise de identidade no jogo da Remedy


Desde os idos de 1997 - quando joguei Resident Evil 1 pela primeira vez e me apaixonei pelo gênero Survival Horror -, que a cada novo game de terror anunciado já é o bastante para  me animar e fazer o hype disparar. Afinal de contas, quem curte uma boa experiência sensorial em jogos, vai concordar que os games de terror são os que conseguem com maior êxito fazer o jogador “sentir” (no bom sentindo, ok?) e interagir, através de reações espontâneas de defesa do nosso corpo.

Quando você joga um bom game de terror que contenha uma atmosfera imersiva e crível, automaticamente o seu corpo já entra em estágio de alerta e tensão. Importante dizer que existem os jogos que dão sustos e outros que dão medo e, no meu caso, o segundo estilo me agrada mais.

Quando encontrar um TV, assista o programa Night Springs para entender melhor o enredo.
Quando a Remedy anunciou Alan Wake na E³ de 2005, algo me dizia que o trono de Silent Hill estava seriamente ameaçado. Nem preciso dizer que a minha expectativa em torno do jogo foi monstruosa, e apesar da falta de experiência da produtora em jogos do gênero, aguardava ansioso por cada nova informação sobre o projeto.

O tempo foi passando e nada do jogo sair. O público era alimentado por algumas fotos para demonstrar à belíssima engine do jogo, porém, sem nenhuma informação sobre data de lançamento. Ao fim de 2009, depois de quatro anos desde o seu anúncio, Alan Wake virou motivo de chacota na internet, o que fez com que os nerds de plantão o apelidassem de “Alan Wait” (bem sacado, bem sacado). A esta altura do campeonato eu já achava que o jogo tinha virado vaporware...

Mas depois de meia década de espera, Alan Wake finalmente foi para as prateleiras para ser a apreciado pelos consumidores e também dar uma ajuda a pífia biblioteca de exclusivos do Xbox 360.

O jogo te oferece cenários muito inspirados
Para começar o review é importante que se diga que AW não é um jogo de survival horror, mas contém alguns elementos do mesmo. Na maioria do tempo o jogador será convidado a explorar as belas florestas de Bright Falls, e no restante, matar inimigos (muita coisa pra fazer, não?). Aliás, o jogo é extremamente voltado para a ação e exploração - isso se você tiver o interesse em descobrir todos os segredos do jogo -, o que de certa forma o torna um pouco enjoativo depois que você chega no 4ª episódio e não aguenta mais matar aqueles inimigos extremamente repetitivos e sem inspiração.

A história gira em torno do personagem Alan Wake, um escritor de sucesso que perdeu toda a sua inspiração criativa para escrever boas histórias. Alice, sua esposa, ao ver a situação do marido, o convida para passar um temporada na cidade de  Bright Falls, lugar perfeito para aflorar novamente toda criatividade de Alan. A partir desse momento, o jogador assume o controle do personagem e a história começa a se desenrolar.

Não vou cometer spoilers sobre o enredo, até porque o game teve uma péssima vendagem e muita gente ainda não teve o prazer (ou seria desprazer?) de jogá-lo, por isso não quero estragar as surpresas. Mas é importante que se diga que apesar do primeiro capítulo deixar uma sensação pesada no ar e a sensação do “Agora vai”, com o passar dos episódios o jogo acaba virando uma história de detetive e ladrão de muito mau gosto. É impressionante como a Remedy ser perdeu no desenvolvimento do enredo, mesmo tendo um ótimo pano de fundo para explorar... Realmente uma pena ter personagens tão subutilizados.

Não olhe essa imagem pois contém spoiler :)
O jogo não acaba quando termina o conteúdo do disco, e caso o consumidor queira saber o verdadeiro final da história, terá que comprar o pacote de DLC disponível na Xbox Live. Muito BOM, ein?

Com relação à parte técnica, Alan Wake se mostra bem competente. Apesar de texturas em baixa resolução, tearing em algumas partes e resolução sub HD (540p), no que diz respeito à iluminação e efeitos de partículas, o jogo brilha e encanta o expectador com efeitos de larga escala e visuais estonteantes. As partes noturnas são um show a parte: partículas pairando no ar, efeitos de água de cair o queixo, névoa, galhos de árvores que chacoalham conforme o vento, explosões de luz, física muito bem desenvolvida e outros pequenos detalhes que mostram todo o carinho da equipe de produção em passar uma experiência gratificante ao jogador. O mais impressionante é que o jogo foi programado por apenas seis programadores, o que é um feito impressionante por tudo que alcançaram. Destaque também para a equipe de arte que fez um trabalho de extremo bom gosto na composição artística dos cenários.

Nada é pra sempre
O aspecto sonoro também agrada. O destaque aqui vai para a excelente dublagem do personagem principal e de todos os outros NPCs do jogo, que receberam um cuidado especial na sincronia labial e na atuação dos atores. O jogo não possui música na maior parte do tempo, mas no fim de cada episódio você será presenteado com uma bela canção que encerra o capítulo. Achei essa idéia bem original e gostei de todas as canções do set list.

Enfim, no que diz respeito à parte técnica a Remedy está de parabéns. Muito provável que se o jogo não tivesse sofrido tantos atrasos e fosse lançado em 2008, seria um marco gráfico. Infelizmente os atrasos impediram que isso fosse possível, o que acabou impactando diretamente nas vendas de Alan Wake, já que o fator "gráficos", no mercado atual, tem cada vez mais importância da hora de vender um software.

O gameplay é muito pouco variado e enjoa com muita facilidade. Matar inimigos a cada 5 minutos já não é uma idéia tão legal desde o século passado...
Como já dito, os inimigos são muito repetitivos e não ajudam a manter o clima de tensão. Muitas vezes você vai preferir correr que enfrentar a gangue do mal que chega de todos os lugares da tela. As armas variam de pistolas a sinalizadores e o jogador recebe uma quantidade adequada de munição para que não seja surpreendido sem balas durante as batalhas. Os inimigos são formados pela escuridão, logo, a sua principal arma contra eles é a luz. Dica: Procure sempre estar próximo de um feixe de luz ou ter alguns sinalizadores no caso de encontrar uns quinze deles passeando na floresta.

O sinalizador é de fato rox a lot!
Finalizando, Alan Wake tinha um ótimo potencial para entrar no seleto grupo de bons survival horror do mercado, mas a Remedy preferiu abandonar tudo que havia prometido (alguém se lembra da parte do open world?) e partiu para a região do conforto, lançando um jogo com muita ação mas pouco terror para tentar vender algumas cópias a mais. Pena que dessa vez o tiro saiu pela culatra... Alan Wake sofre de uma crise de identidade, pois ele passa a idéia ao jogador de que é um jogo de terror, mas não assusta em nenhum momento; ao invés disso ele oferece muitas cenas de ação e combates em florestas escuras com inimigos repetidos e sem inspiração.

Realmente uma pena, pois tinha muito potêncial.

Saudações

Gráfico: 4.0
Som: 3.5
Gameplay: 2.5
Diversão: 3.5
Nota Final: 3.0





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