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19 de nov de 2011

■ Você confia em um review?


Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre os sistemas de reviews usados pela mídia especializada na hora de avaliar aquele jogo que você estava aguardando há tempos para jogar. Será que um review é somente a  opinião pessoal de um crítico sobre determinado software? No passado - quando este mercado ainda estava engatinhando e quase nada era feito com muito profissionalismo, muitos jogadores não se interessavam em saber o que esses críticos pensavam a respeito dos lançamentos. A propaganda de um jogo era feita praticamente na base do boca a boca, exceto pelas grandes softhouses, que conseguiam pagar por propagandas na TV para divulgar seus produtos. Se um jogo fosse bom, mais cedo ou mais tarde ele chegaria nas suas mãos.

Seja por influência dos amigos ou por indicação daquele atendente "brother" da locadora que você alugava suas fitas, um game de qualidade ímpar dificilmente ficava no anonimato. A escolha na compra (ou aluguel) de um software não era feita em cima de uma nota, você simplesmente chegava e perguntava para os seus conhecidos se o alvo de seu interesse tinha uma boa jogabilidade, se possuía modo multiplayer, se os gráficos eram bons e coisas do tipo. E Assim caminhava a humanidade.
Hoje, com o mercado bem mais maduro, muita coisa mudou na hora de gastar seu precioso cash para comprar o combustível do seu console. A informação se espalhou pela internet e qualquer consumidor, com poucos cliques, consegue ter acesso a algum review de um site renomado, geralmente seguido por uma nota que transforma todo o conteúdo do texto em números, justificando assim, o investimento do produto.

Agora que vocês mais novos já sabem como funcionavam as coisas no passado, vamos adiante, babys.^^

No mercado atual, antes de um jogo ser lançado, o consumidor já é alimentado por uma enxurrada de informações que são disponibilizadas quase que periodicamente pelas produtoras: storyline, troféus, jogabilidade, personagens... Enfim, tudo que for necessário para atrair o público será feito, até lançamentos de versões demos de jogos extremamente bugados... O segredo aqui é aparecer a qualquer custo.

Para que um jogo consiga causar algum tipo de expectativa antes de seu lançamento, é necessário que a mídia divulgue informações sobre ele: fotos que demonstrem a qualidade gráfica, vídeos, informações sobre os elementos que compõem o gameplay, hands on, etc. Só assim o consumidor consegue ter a real noção se aquele software de fato lhe interessa e merece fazer parte da sua coleção. E é a partir desse ponto que as coisas começam a cheirar mal...

Se uma grande softhouse está produzindo a próxima versão da sua franquia (que já vendeu algumas dezenas de milhões), é claro que toda a mídia vai ficar em cima para conseguir algum tipo de exclusividade, seja ela qual for. Geralmente a informação bombástica e exclusiva sobre o blockbuster do verão vem dos grandes veículos (revistas e sites) especializados no assunto. Independente de qualquer coisa, uma informação valiosa só é disponibilizada para quem possui uma marca valiosa. Resumindo a situação: a Rockstar jamais vai divulgar as primeiras fotos de GTAV para um site que tenha 100 mil acessos por mês, ela vai preferir divulgar para o maior número de pessoas possíveis, gerando assim maior interesse pelo produto. Durante a produção de um projeto desse calibre, o trabalho de divulgação é de extrema importância para que o título não fracasse no lançamento.

Mas como será que funciona o processo de exclusividade da informação?

Nessa hora você deve estar se perguntado como funciona todo esse processo de exclusividade da informação, certo? Bom, é óbvio que se um veículo de comunicação deseja uma informação valiosa, terá de pagar caro por ela. Porém, aqui o dinheiro não é um problema, até porque uma informação exclusiva pode  trazer muitos benefícios para quem a divulga. O ponto a ser explorado é: Será que é só o dinheiro que determina quem ganha à exclusividade? Reparem que não é incomum o fato de que o veículo que dá o furo mundial de reportagem de um determinado jogo, ao avaliá-lo, dar uma nota generosa e entupir as linhas do review de elogios, mesmo que determinado título não tenha feito nada que outros títulos (com menos interesse do público) já não tenham feito antes. Mas antes de se aprofundar no assunto, vamos entender melhor como funciona o processo de avaliação de um jogo.

O sistema de reviews funciona da seguinte forma:
  • O avaliador: joga o game por algumas horas e descreve sua experiência. Geralmente é composto por uma só pessoa, mas existem casos em que mais de avaliador faz o review. 
  • O texto: É nele que o avaliador tenta passar ao leitor os argumentos necessários para justificar sua nota final. Na maioria das vezes o review é dividido em etapas que abordam aspectos individuais dos jogos, seja de  maneira positiva ou não.
  • Nota final: Depois que o avaliador emitiu sua opinião, é necessário que o mesmo informe uma nota final coerente com todos os prós e contras abordados no texto. 

Explicado como funciona a máquina, vamos entender melhor qual o impacto dela no mercado

Para um jogo vender bem é necessário que agrade o gosto do público em geral, associado com um trabalho de marketing massivo para a divulgação da produção. Nem sempre um jogo de qualidade vai vender bem, mesmo que tenha recebido notas consideradas altas em suas avaliações. Entretanto, quando um jogo de apelo comercial (o que não quer dizer que seja bom) é lançado, é quase certo que receberá notas altas, ainda mais se o veículo que fez o review tiver recebido algum tipo de exclusividade durante a produção do jogo. Existem também os que dão notas baixas, mas esses geralmente fazem desta forma para chamar atenção ou tentar prejudicar a softhouse por não ter recebido as regalias que o site x ou a revista y receberam. De qualquer forma, quando um blockbuster é lançado no mercado, um grande volume de dinheiro é movimentado e é nessa hora que a divisão da grana (no melhor estilo gangster) é feita.

Você já deve ter percebido nas caixas dos jogos alguma referência a algum review de site ou revista de grande nome no mercado, certo? Acreditar que isso é feito de forma honesta e transparente é pensar de maneira muito ingênua. Uma publicação, ao fazer um review, geralmente já recebeu alguma grana por fora para dar uma nota boa ou excelente. Já está tudo incluso no pacote e isso faz parte da estratégia de marketing para atrair mais compradores para o produto. Ou seja, durante a fase de produção do jogo os veículos de divulgação lucram com as informações exclusivas; depois que o jogo é lançado, a softhouse lucra com as notas altas que o seu lançamento recebe nos reviews. Simples, não?
Nomes como Gamesspot, Ign, GT, GI e tantos outros já tiveram sua credibilidade questionada justamente pela falta de coerência. Peguem por exemplo as notas da revista Edge sobre um título a sua escolha e comparem com o Metacritics; vocês perceberão que para alguns jogos a nota sempre é maior do que a maioria dos outros sites (exemplo: halo). Em outros casos, sempre é menor, mas nunca igual... E isso acontece SEMPRE!

Com tantas evidências, como é possível levar a sério esse tipo de "mídia especializada", cujo único objetivo é se aproveitar dos leigos e lucrar em cima de um mercado monstruoso que movimenta bilhões de dólares por ano?

Cabe você, leitor, abrir seus olhos e passar a desconsiderar qualquer tipo de informação vinda desse verdadeiro câncer que se tornou o mercado editorial de games. É claro que existem os profissionais sérios, mas são muito poucos e, geralmente, cedo ou tarde acabam se envolvendo nessa verdadeira máfia, que abusa da boa fé do gamer para ganhar dinheiro desonesto.

Temos que dar um basta para toda essa falcatrua. Chega! Game over pra toda essa mentira!

3 comentários:

Muito pertinente esse post.

O crítico/resenhista de games geralmente não leva muito a sério seu trabalho. E isso acontece em muitas outras áreas também (música, literatura etc.). Tanto a parte do jabá como a agilidade do processo.

Como julgar um game somente com base em parte dele? É como ler o primeiro capítulo de um livro e dizer se ele é bom ou ruim.

E essa coisa de dar notas então?...

Por isso prefiro resenhas em que a pessoa descreve sua experiência com o jogo. E que o faz com honestidade. O difícil é achar resenhistas assim.

Exato! Pra você ter uma idéia, o jogo que mais aguardo jogar é o Skyrim do PS3. Acontece que descobriram que o jogo fica impraticável no console da Sony. Resumindo toda a merda: A Bethesda não fez questão de testar o jogo para encontrar bugs e a mídia especializada não teve o profissionalismo que se espera para jogar o game por mais tempo para nos alertar do erro. Aliás, em muitos lugares o jogo é considerado GOTY, mesmo apesar deste bug infantil...

Muito interessante o texto. Acredito que esse problema com reviews aconteça não só com os games mas também com as outras mídias. Um dos pontos que acredito que causem esse tipo de controvérsia é a falta de um padrão para os reviews de maneira geral e é claro sempre tem a experiência pessoal que muda muito de uma pessoa para a outra. Além de que muitas vezes o veículo escala quem gosta do estilo de jogo, em blogs mesmo (normalmente) as pessoas só escrevem reviews de jogos que gostaram, o que é natural.

Dois casos interessantes são o de Duke Nukem Forever que recebeu criticas negativas e a empresa responsável pelo marketing do jogo "ameaçou" os veículos que estavam falando mal causando certo mal estar com a desenvolvedora que veio a publico se desculpar.

Outra é que também não levo muito em consideração o Metacritic (de maneira geral), pois por exemplo agora no fim do ano muitas pessoas que não são fãs do da Sony estavam sabotando as notas do Uncharted 3 dando nota 0 ou 1 e xingando nos comentários e coisa e tal, além de que o Metacritic já foi alvo de denuncia de nota comprada.

Enfim, esse negócio de review nunca vai mudar, mas ainda vai se profissionalizar muito mais na minha opinião,

Abraços.

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