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9 de jul de 2012

■ Os arquivos confidenciais - NEC/Hudson Soft PC Engine


Afinal, de todos os videogames que já passaram em minhas mãos (e não vou negar que foram muitos...), existe um. Apenas um!

Um videogame, desconhecido pra muitos, mas... Familiar pra mim. Esse é um que mantem um estilo 'mágico' em minha imaginação. Um visual datado, porem que chama a atenção discretamente...

Um videogame que, na maravilhosa batalha dos 8~16 bits, permaneceu em uma posição completamente adversa dos seus competidores e, por pouco, não toma a liderança (coisa que, foi conseguida em certos casos).

Esse é o PC Engine:



1ª parte - Conheçam "Papai e Mamãe"

Hudson Soft: Uma empresa fundada no ano de meu nascimento (1973), e infelizmente, já falecida.

Seu início foi com programas para computadores pessoais da época. Criada pelos irmãos Kudo (Hiroshi e Yuji, respectivamente), extraíram o nome da empresa de uma locomotiva, chamada de Hudson C62.


(no caso, é o 3º modelo de trem que passa no vídeo, rebocando 3 vagões)

Voltando ao assunto principal, a Hudson começa seus serviços, vendendo equipamentos para telefonia e fotografia artística. Em 1875, passa a trabalhar vendendo produtos relacionados a área da informática e, em 1978, começa a criar e vender softwares de jogos.

A Hudson se torna uma vendedora 'third party' para o NES/Famicom e, em seu segundo jogo (Lode Runner), consegue a marca de vendas de 1.2 milhões de cópias imediatamente após o lançamento do cartucho. Os negócios foram crescendo e, com o lançamento de jogos não só para o NES/Famicom, mas para os computadores pessoais da época como o ZX Spectrum, MSX e o PC 8801), a empresa passa a se chamar Hudson Soft Co. em 1984.

O seu grande 'hit' dos videogames veio em dezembro de 1985 com o lançamento de Bomberman.

Mas, em 1987, a Hudson Soft desenvolve, juntamente com sua contraparte, a Nippon Electric Corporation, o projeto C62 System e começam a fazer o seu "filho".

NEC (Nippon Electric Corporation): Uma empresa já com seus mais de 100 aninhos de vida, de âmbito mundial, faz parte do Grupo Sumitomo e provêm tecnologia de informação e soluções de redes para grandes (enormes/imensas/incomensuráveis...) empresas e é uma das empresas provedoras de tecnologia de comunicação para governos de muitos países no mundo, além de ser uma criadora de chips para equipamentos diversos. Ainda por cima, é uma das 20 maiores empresas de tecnologia do mundo na criação e desenvolvimento de semicondutores.

Com a união dessas duas empresas, o rebento na área de videogames nasceu. Em 1987, nasce o PC Engine, fruto bem pensado e pode se dizer, uma plataforma de alto nível pra época.

2ª parte - Conheçam o "Filhote"

A NEC demonstrou um grande interesse em entrar no lucrativo filão de ouro dos videogames, portanto, graças a tal pensamento, nasce o pequenino PCE. Por outro lado, a Hudson Soft tentou em vão, vender uma nova tecnologia de chips gráficos para a Nintendo (humm... Isso me lembra algo parecido e que aconteceu depois, com a tecnologia de CD + Sony + Philips = a alguns... Errinhos de percurso da 'Big N'...).

O resultado foi um videogame com uma configuração de hardware meio que confusa:

São 3 processadores: Uma CPU de 8 bits(uma HuC6280A - Na verdade é uma modificação da 65SC02 - Que nada mais é do que uma versão meio que tunada da  MOS 6502, e que roda com velocidades controladas pelo software, sendo alteradas entre 1.79 e 7.16 MHz), e duas (PRESTEM ATENÇÃO!!!! DUAS) GPUs de 16 bits (sendo uma delas a HuC6260, controladora da encodificação das cores no video (VCE) e uma HuC6270A, controladora do display de video (VDC), que tem uma similaridade com a família VDP TMS99xx, controladora dos sinais I/O),  com a capacidade de demonstrar, na tela, 482 cores simultâneas, num total de 512 cores. Graças as suas diminutas dimensões (só quem já abriu um PCE, sabe o porque ele é pequenininho pra época...), ele detém o recorde no Guiness, do menor videogame caseiro já criado.

Sobre a memória...
Work RAM: 8 kB
Video RAM: 64 kB
E, sobre o audio...
6 canais de audio, controlados pelo HuC6280A, que trabalha a uma frequência de 3.58Mhz em PCM POR CANAL!

3ª parte - Duvidas ou simplesmente 'istismo'?

Quanto a briga entre as 3 maiores empresas de videogame (sim, a NEC já estava consolidada, tendo um hardware bruto pra se trabalhar...), temos um detalhe intrigante:

O PCE é um videogame de 8 bits. Como ele consegue chegar e peitar de frente os monstrinhos de 16 bits da Nintendo e Sega?

Bom, como visto na configuração acima postada, ele é 8 bits em CPU, mas de qualidade gráfica, ele é 16 bits (e bem servido!)

Nos comerciais americanos, o videogame era apresentado como uma plataforma de 16 bits (não explicavam o fato de que ele era, na verdade, de 8 bits), mas, na verdade, outros fatores barraram o crescimento da NEC fora do Japão:

Em primeiro lugar, o PCE não tinha um hardware TÃO versátil. Apesar de ter boa qualidade de vídeo, o processador fazia o infeliz do 'efeito gargalo', barrando a velocidade de processamento do videogame.
Em segundo lugar, temos o fator estética. Enquanto que o 1º PCE no Japão era miudinho, nos EUA, era um trambolho grande e FEIO! Fora o fator de ter apenas 1 entrada de controle, forçando a quem quer jogar, que comprasse um multitap...
Pra finalizar, a NEC perdeu graças a base já montada do Mega e do SNES, que era bem mais firme e 'conservadora', não permitindo que outras empresas forçassem suas entradas (de uma forma forte, porém, delicada! [coolface]), mas no Japão, a conversa era outra. A popularidade do PCE estava superando o MegaDrive longe, fora o fato de que ele emparelhava fácil fácil com o Super Famicom em ritmo de vendas. E não estamos contando a falta de suporte entre as empresas 'third party' para o videogame, deixando poucos jogos em venda.


4ª Parte - "Mamma Mia! Es un... Cabezzone?!?"

Sobre as mascotes:

Sega = Ahlex Kidd (convenhamos, ele fez bem no Master! Se duvidar, o que o estragou foi justamente a aparência de um macaco, com aqueles orelhões, movidos a ficha)

Nintendo = Mario (O encanador bigodudo realmente é carismático! Será que tem algum pedaço de unha do Silvio Santos?)

NEC = ....???

Não havia uma discussão simples sobre isso. Muita gente (no Japão, é claro!) acreditava que o mascote do PCE era justamente o Bomberman. Mas, o homem bomba, mas, como foi criado bem antes do lançamento do videogame, em teoria ele não faria tanto sucesso.

Mas havia em uma revista japonesa, o personagem PC Caveman, que exercia um grande sucesso entre os leitores (provavelmente pode ter saído em algum grande mangá...), que o confundia com um personagem de videogames, mesmo bem antes do início da criação do jogo!



Apesar do estilo meio 'Heavy Metal' do personagem, foi um sucesso imediato! (claro que, não dá pra ser comparado com Mario e outros!)



5ª Parte - "PC Engine... GATTAI!"
(Tradução: PC Engine... FUSÃO!)
(essa foi mais pensando em series de super heróis japoneses, os super sentai)

Agora, esse é um ponto em que, muitos tentaram, mas não chegaram nem perto (caso do 3DO e seus modelos)

O PCE teve modelos e modelos, sendo que, cada um era específico para alguma coisa (ah, explicar isso de uma forma simples, vai ser estranho, mas...)

Então, vamos começar com o nó principal:

Comprando esse:

(o primeiro modelo a ser vendido. Tem duas cores: Branco encardível e cinza. Saída de RF e era mono)

Mais

(o primeiro modelo de CD-ROM para videogames a ser lançado no mundo)

Vc necessitaria de


(Esse é a Interface Unit. Pra se emendar os dois, apenas utilizando tal coisa. Ah! E tem que usar DUAS FONTES DE ALIMENTAÇÃO (a não ser que vc seja dono da CELG ou seja lá qual for sua geradora de energia por aí e comprasse a absurda fonte de 21 amperes necessária pra rodar os dois...)

Para o segundo modelo, a coisa fica ainda mais maluca:

Comprando esse:


(Esse é o Core Grafx. Ele e o Core Grafx II são os mesmos. A diferença para o primeiro modelo é: Esse era mais caro graças a sua saída de video, que era AV. A 1ª versão era RF puro e mono, fora o que irei demonstrar agora...)

Mais esse:

(Sua unidade de CD-ROM, conhecida como Super CD-ROM²)

Se torna...

(liiiiindo, não?)

Agora, vamos a parte mais estranha da história

Comprando esse:

(O Supergrafx. Erroneamente considerado como o 'PC Engine 2', só houve de 5 a 6 jogos exclusivos pra essa plataforma. Sua diferença principal era a maior quantidade de memória RAM, aliada a um grande avanço na memória de video e melhorias no sistema de scrolling das imagens. Infelizmente, isso encareceu DEMAIS o preço desse bichinho o tornando caro demais e, a consequência disso é que ele foi abandonado. Mas, as coisas não param apenas por aí!)

CASO VC, DONO DE UM SUPERGRAFX, QUEIRA USAR UM CD ROM.....

São duas alternatívas (caras)

1ª - vc pode....

Mais

E mais

Porque senão, ele não entra no encaixe....

2ª - vc pode....

O que faz funcionar sem o acessório maluco de encaixe do primeiro CD ROM....)

Mas, aparentemente, deveríamos ter boas novidades no lançamento dos novos modelos, certo?

6º Parte - "E mais uma vez..."


Continuando com a torturante loucura de explicar um pouco melhor sobre os videogames (que tem modelos DEMAIS em relação aos seus compatriotas americanos, eu tomei a liberdade de copiar e traduzir algumas tabelas do site PCENGINEFX.COM e postarei aqui. Graças a eles, fica mais fácil de se entender sem ter que me desdobrar em mil linhas...)

Começando com os consoles:



Seguido pelos cartões....

...Adaptadores para conexão com o CD ROM e....

 ...Os formatos dos jogos!

7ª Parte: "Decadência de um reino distante..."


Estamos chegando a parte triste da história.


No início de 1993, a NEC decide fechar as portas da sua revenda americana e começa a anunciar sobre um novo videogame que estava sendo criado. Seu nome? PC-FX. Um monstro em configuração, que levava o nome código 'Iron Man' e preparado pra brigar 'de igual pra igual' com seus rivais anunciados: Sega Saturn, Sony Playstation, o Playdia (lançado pela Bandai e que quase todo mundo nem sabe de sua existência) e Panasonic 3DO (sim, é verdade! O 3DO era um concorrente de peso na época...)

No seu lançamento, o videogame contava com 3 jogos: Team Innocent, Battle Heat e Graduation 2: Neo Generation.

O formato do videogame era no mínimo, inusitado: Lembrava um pequeno computador, onde em sua parte de cima, fica a unidade de CD ROM (em formato de 'tampinha' pra abrir. Ou seja, não era tão chique assim...)



Infelizmente, devido ao seu alto custo de revenda, juntamente com os pronunciamentos da NEC, afirmando que só liberaria coisa de 6 a 8 jogos por ano pro console, e ajuntando com as parcas vendas, o console veio a óbito no início de 1998 (ano onde outros consoles também sumiram do mercado...) e, graças a isso, a NEC passa uma tecnologia de um super chipset para a SEGA (que supostamente, PODERIA SER um protótipo de um novo videogame, o POWER VR2)

A verdade sobre a queda do PC-FX? O projeto Iron Man estava sendo incubado desde 1992, mas, devido as excelentes vendas de seus (inúmeros) modelos de PC Engine, a NEC tomou a errônea decisão de 'cozinhar o galo' mais um pouco, apenas pra esperar se poderia haver alguma chance de recuperação no mercado americano (o mais engraçado é pensar que, o mercado americano JÁ ERA INSTÁVEL antes dos problemas ocorridos em 2010) para o Turbo Grafx.

Graças a isso, a tecnologia ficou deveras obsoleta, já que o pensamento era ter um super videogame que rodasse jogos em FMV (o sucesso da época, que foi chutado pra escanteio graças ao avanço da tecnologia de renderização 3D)

(A abertura de Battle Heat é simplesmente fantástica!)

E é isso! Um legado que começou na década de 80, foi perdido por 'cozinhar galo'. (desculpem, fico abalado de ver que um super videogame não foi pra frente por decisões erradas)


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